Já o meu pai cantava:
“Eu não sei, o que tenho em Bairros…
Que de Bairros, me estou lembrando…
Ao passar o Rio Paiva, as ondas…
Me vão levando”
Para quem não me conhece, começo por me apresentar: Sou filho do Carvalho e da Bel da ViaPaivense; Irmão do Sérgio, maestro da Banda; neto da Mariana “Carriça”; Neto do Constantino Carvalho da Feitoria; Sobrinho do Dr. Adriano da Chã; Sobrinho do Pinto da lapardana; Sobrinho-Neto do Costinha das Fontelas; e agora, Marido da Belinha, genro da Prof. Adriana e do Sr. Silva de Carreiros. Para os Bairristas estas referências chegam. Hoje falamos de Bairros e esta é uma carta de AMOR.Nasci, cresci, vivi e fui feliz em Bairros. Sou feliz em Bairros.
Recordo quase 30 anos de Bairrismo com ORGULHO. O primeiro torneio de futsal pelo Bairros como Guarda-Redes suplente do Bruno Fidalgo, o campeonato de futebol, ganho em Pedorido, como suplente do Mauro, do Seninha e de quem tivesse de sair… Recordo os torneios de sueca na Sede, a “Grande Noite Bairrista”, o grande prémio de Atletismo, as vitórias no Ciclismo e o domínio nas entregas de prémios dos Jogos Desportivos. Aos 16 anos cheguei à direcção da ADCB com o Zeca “da Sara” como Presidente e aos 18 fui eleito o Presidente mais novo da associação acompanhado pelo Fábio Vieira, o Vitó, o Sérgito, o Daniel Cardoso, etc. Percorri a freguesia, primeiro com o Vieira e depois com o Costa nas campanhas eleitorais.
Recordo quase 30 anos de Bairrismo com Saudade. Os treinos na Terraplanagem e em São Lourenço, o ténis na Soalheira, o Basket na Ladroeira. As voltas de bicicleta, desde os fornos do Prof. Adário até à quinta da Fisga; As aulas de música com o Ti’ Maneca, os acampamentos em Várzea e os mergulhos no Poço Negro, as cerejas nos campos do Seringa e as cabidelas na Sede. Recordo as grandes peças de teatro… Recordo o primeiro dia em que vesti a farda da Banda, o nervoso miudinho ao tocar, pela primeira vez o “Guilherme Tell” na festa de Maio com o Neca Carvalho. A primeira festa em que o meu irmão dirigiu a banda em Santo Adrião. O primeiro namoro na Sardeirinha, e outras “primeiras-vezes” que não são para aqui chamadas.
Recordo quase 30 anos de Bairrismo com Esperança e renovada DEDICAÇÃO. Quem faz Bairros são as pessoas, aquelas que não deixam morrer o sonho de um lugar melhor para se viver. Aí reside a minha esperança. Regresso a Bairros de onde a minha alma nunca saiu, Regresso à Banda, ao Bairros e onde for preciso a minha dedicação.
Eu sei o que tenho em Bairros: A minha vida.
Abraço
Rafael Costa Carvalho